Conexões Femininas

CONEXÕES FEMININAS

Organizada no dia 12 de Julho de 2016 na galeria do Banco Económico, as 18:30 horas a MOV´ART Gallery tem o prazer de convidar para a exposição CONEXOES FEMINIAS.

Esta exposição faz referencia a questão do género que continua ainda a moldar as vidas e as opiniões dos indivíduos e domina ambas as esferas económicas e culturais, ambos local e globalmente. Ao mesmo tempo que a sociedade integra o feminismo, através por exemplo da luta pela igualdade de direitos num contexto de justiça global, parece que num contexto de globalização neo-liberal existe um reforço dessas desigualdades.

Explorando a noção de identidade feminina no espaço privado e no contexto multicultural e intercultural através do objecto de arte, torna-se parte de um processo de diálogo num enquadramento mais alargado de desenvolvimento humano, histórico e cultural. Podemos falar de Multiculturalidade porque trata de diferentes culturas que coabitam no mesmo espaço, e de interculturalidade porque cada uma delas tem incluso o resultado de várias culturas adquiridas pelas experiências e vivências de cada um.

Não se trata de falar de feminismo mas do olhar feminino e do resultado da interação destas artistas acerca das noções de identidade, memória, história, tradição e modernidade num contexto específico, intimista mas global ao mesmo tempo.

A noção de globalização no contexto do pós-modernismo tem implicações de natureza antropológica. Definido como “as características de natureza sócio-cultural e estética, que marcam o capitalismo da era contemporânea” o Pós-modernismo coloca a reflexão numa época em que (co)habitamos num universo imagético, repleto de signos, ícones, ruídos visuais – fantasia – em detrimento dos objectos e por vezes da experiência (real). Propostos pela tecnologia e pela necessidade de criar a ilusão, completar o vazio, a simulação substitui a realidade e entra muitas vezes em colisão onde o  individual predomina sobre o colectivo.

Ao mesmo tempo que a globalização e a tecnologia podem esbater essa distância como espaço de comunicação entre culturas, colocam-se no caminho diferentes questões e suscitam-se novos discursos. Reflectir sobre este processo sob o ponto de vista feminino e em África leva-nos a repensar acerca da apropriação cultural e técnica, não como um processo histórico de colonizador / colonizado mas a repensar na mudança de paradigma que permite considerar o objeto não como uma entidade física acabada, finalizada, mas sim como uma construção sociotécnica – “A apropriação questiona assim não somente o desfasamento entre o prescrito e o efetivo (adaptação), obrigando a pensar os processos intermédios que são as formas de se aperceber e entender o prescrito e as formas de actuar, de viver com eles em contextos particulares (apropriação)”.

A viagem individual de cada uma das artistas é colocada num espaço seu, intimo mas em permanente dialogo num espaço entre espaços, por vezes em confronto com o outro, no qual o todo é maior do que a soma das partes.

Sónia Ribeiro