Artistas | Thó Simões

Thó Simões

António “Thó” Simões nasceu em Malanje em 1973. Ele diz que não é pintor, nem artista plástico – nega quaisquer rótulos que limitem as suas intenções. O Simões pinta, faz colagens, cria arte urbana e digital, performances, instalações, filmes e fotografias, mas o trabalho ‘não obedece a uma componente ou tendência que permita identificar com clareza um determinado estilo. Se calhar o mais fácil seria dizer que sou, somente, um artista’.

O começo nas artes deu-se na União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) e depois no Instituto de Formação Artística e Cultural (INFAC), onde se formou. É um pesquisador nato, curioso por natureza. O magnetismo que África e Angola exercem no seu trabalho são inegáveis, tanto como os vários lugares que já visitou no mundo.

Para exprimir estes afectos, ora usa de influencias da arte moderna ou tradicional, como a arte étnica Tchokwé ou de inspiração na tribo Muíla, ora usa arte abstracta. É visto com frequência nas ruas de Luanda, seja a expor, a observar ou simplesmente a sorver a vida que flui ao seu redor.

Hoje, abraça ainda projectos de carácter sociocultural e ambiental – o graffiti no Elinga Teatro, contra a sua destruição, não deixa ninguém indiferente. Filho da primeira geração de artistas do pós-independência, a passagem de conhecimentos e técnicas é essencial para o Simões, que relembra uma altura difícil para os jovens artistas que entravam no mundo da arte.

Com os olhos sempre postos no futuro e as mangas arregaçadas, Thó Simões concluiu o celebrado projecto Murais da Leba, em 6000m2 de parede nas províncias do Namibe e Huíla, englobando artistas angolanos e internacionais, alunos do ensino primário e secundário, na arte urbana.